Navego sem farol, sem agonia... distante
Ainda de luto o escritor se sente sem farol.
A morte de sua companheira o deixou profudamente abalado, ou o suficiente para permitir que profundamente acompanhe a palavra abalado formando uma combinação tão sonoramente incomoda e comum.
Algumas perdas são para toda a vida, são perdas que não se reduzem, que todo o tempo que houver não será suficiente para reduzir a dor, reduzir a aflição, permitir o esquecimento ou simplesmente não ser lembrada por alguns minutos.
O escritor se lembra de todos esses momentos dolorosos. Todos ao mesmo tempo.
A morte de sua madrinha, da avó, de seus tios ou de sua gata são motivos para tornar a sua vida mais dura. Todo o sofrimento que nenhuma religião consegue tornar mais suportavel. O escritor suspira e anseia que alguma fé apareça em seu coração e abafe a sua razão para que possa ter uma noite tranquila de sono acreditando que aqueles que se foram desta vida seguiram para a vida eterna.
O escritor já sabe que o alcool não ajudará. Nas noites onde a saudade do que não houve é maior que o cansaço diário do corpo o máximo que pode fazer é rezar e chorar.
O escritor apenas chora, um choro sem lágrimas, que o consome por dentro, sem deixar nenhum sinal que sirva de alerta para que alguem o ajude.
E assim o escritor segue sua vida, a cada dia um outro dia e mais nada...
